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Dear Chairman narra o surgimento do ativismo por parte de acionistas de companhias abertas.

Em 1926, Benjamin Graham se deparou com o que ele considerou um “tesouro”. A empresa Northern Pipeline, que à época negociava a $65 por ação, detinha ativos significativos não essenciais à sua operação. Segundo a análise de Graham, esses ativos poderiam ser facilmente monetizados por cerca de $90 por ação – sem qualquer impacto na operação da companhia. Após uma tentativa frustrada de convencer a empresa dos benefícios da monetização desses ativos, assim como da distribuição dos recursos aos acionistas, Graham decidiu escrever uma carta explicando a situação para outros acionistas relevantes da companhia. Essa carta marcou uma importante mudança na história recente do capitalismo, representando o momento em que acionistas começaram a fazer valer seus direitos como efetivos donos das companhias abertas.

Através do estudo de oito cartas de investidores enviadas aos conselhos de companhias abertas – daí o título Dear Chairman (ou “Prezado Presidente do Conselho”) – o autor resume alguns dos possíveis desalinhamentos e conflitos entre os interesses de executivos e de acionistas em companhias abertas, trazendo alguns ensinamentos valiosos, tanto através de exemplos que acabaram por beneficiar a todos os acionistas – caso da Northern Pipeline mencionado acima – quanto através de exemplos em que o ativismo acabou prejudicando as companhias e, por consequência, seus acionistas. A diversidade das cartas é interessante, e abrange desde a postura construtiva de Warren Buffett até a agressividade de Carl Icahn. As versões integrais das oito cartas estão incluídas no apêndice do livro.

Segundo o autor, “… é incrível a quantidade de lições valiosas do mundo empresarial que têm se perdido ao longo do tempo.” Este livro é uma tentativa, em nossa opinião muito bem sucedida, de resgatar algumas dessas lições.

The Checklist Manifesto é um livro extremamente envolvente, e que julgamos que deveria ter sua presença garantida em qualquer biblioteca.

Por que continuamos falhando em processos que executamos centenas ou milhares de vezes? Seja em procedimentos médicos simples, na esfera governamental, em rotinas de grandes empresas, no direito ou na indústria financeira, vemo-nos cercados de falhas que poderiam ter sido evitadas. O motivo é simples: o volume e a complexidade de conhecimento na maioria das áreas profissionais é maior do que a habilidade de indivíduos de armazenar e utilizar este conhecimento de forma consistente, correta e segura.

Será que podemos fazer melhor? A solução seria mais treinamento, mais estudo ou melhores técnicas de ensino? Segundo o autor a resposta é mais simples. Ele usa argumentos sólidos para advogar que podemos fazer melhor e falhar menos, através da utilização de um método extremamente simples e de baixa tecnologia: a utilização de checklists. Com exemplos em diferentes áreas, da indústria de aviação à construção civil e gestão de recursos, o autor aborda como a utilização mais normatizada de checklists poderia trazer melhorias em processos em diferentes áreas, com um custo incremental muito baixo. É um conceito trivial, mas aparentemente muito poderoso.

Apesar dos exemplos focarem mais em procedimentos cirúrgicos para ilustrar o valor dos checklists (dado o background do autor isto não é uma surpresa), os conceitos abrangem diversas outras áreas do conhecimento e profissões. São lições valiosas, com histórias e ensinamentos que permanecerão com o leitor por um bom tempo, finda a leitura do livro.

Business Adventures foi escrito em 1969 e chamou nossa atenção por conta de uma interessante história: em 1991, Bill Gates perguntou a Warren Buffett qual era seu livro favorito – uma excelente pergunta para se fazer à Buffett. Como resposta, Buffett enviou à Gates a sua cópia de Business Adventures.

Bill Gates atualmente se refere a este livro como “o melhor livro de negócios que já li”. Ele diz que este livro serve como um lembrete de que os princípios de negócios bem sucedidos permanecem constantes no tempo. Concordamos. Talvez o mais importante desses princípios, que se torna claro à medida em que as histórias deste livro vão sendo digeridas, é a necessidade que qualquer empreendimento tem de contar com gente boa. Gente. Pode-se ter o produto perfeito e a estratégia de marketing perfeita, mas sempre vai se precisar de gente de qualidade para liderar qualquer empreendimento.

Uma palavra de cautela ao leitor: apesar de ser um livro fantástico, que resgata histórias interessantíssimas do capitalismo pós-guerra, não acreditamos que esse seja um livro para ser lido de uma única vez, ou mesmo lido na ordem em que os capítulos se apresentam. São doze histórias independentes entre si, e que podem ser lidas em qualquer ordem sem perda de contexto. Difícil eleger, mas nossas histórias preferidas foram: a última história – In Defense of Sterling – que narra os bastidores do primeiro ataque especulativo à libra esterlina e a firme e coordenada ação de banqueiros centrais de países desenvolvidos na defesa daquela moeda; e The Last Great Corner – que explica em detalhes a tentativa de colocar o mercado em “corner”, via o mecanismo de aluguel de ações, executada pelo controlador de uma empresa de capital aberto. Merecem destaque também The Fate of the Edsel – minúcias sobre o que talvez seja o maior desastre em lançamentos de novos veículos na história da indústria automotiva e; A Reasonable Amount of Time – que trata sobre insider trading realizado por executivos de companhias abertas e narra o caso que serve como referência até hoje para orientar as normas de conduta esperadas pelos reguladores em relação aos insiders.

The Outsiders traz como tema um interessante debate sobre o papel e a importância do CEO de uma empresa, e aborda conceitos que consideramos valiosos sobre gestão empresarial e geração de valor para os acionistas de uma companhia.

“It’s almost impossible to overpay the truly extraordinary CEO… but the species is rare.”

– Warren Buffett

O livro é aberto com essa frase, que sintetiza bem o que vem pela frente. O autor redefine o que significa ser um CEO de sucesso. A maioria das pessoas descreveria um bom CEO como sendo uma referência de liderança, um visionário e uma pessoa com excepcional conhecimento de sua indústria. Além disso, em nosso mundo de culto a personalidades, são pessoas que, muitas vezes, atingem o status de celebridades, aparecem em capas de revistas e seus comentários na mídia têm valor quase de profecias. Nomes como Jack Welch e Steve Ballmer vêm à mente. Será que grandes CEOs devem ser medidos por sua fama e o reconhecimento de seus nomes, ou existe uma forma mais eficiente de medir o valor que trazem para suas empresas? Mais importante, será que os CEOs mais reconhecidos são de fato os que obtiveram a melhor performance em seu trabalho? O livro responde a essas e outras perguntas com maestria.

Sem estragar a surpresa (há muito por vir…!), o autor advoga que CEOs têm dois objetivos simultâneos: manter a parte operacional de suas companhias rodando de maneira suave e alocar o caixa gerado por essas operações de maneira eficiente. Este segundo objetivo, uma eficiente alocação de capital, acaba sendo uma habilidade tradicionalmente pouco avaliada em CEOs, mas que pode significar a diferença entre espetaculares retornos para os acionistas ou retornos em linha com o restante da indústria. O autor ilustra esses conceitos e alguns outros através dos exemplos de oito CEOs de diferentes indústrias que, durante seus períodos à frente de suas companhias, geraram retornos para seus acionistas mais de 20 vezes superiores aos retornos do S&P 500 e bastante superiores aos retornos médios de suas respectivas indústrias nos mesmos períodos.

Fooling Some of the People All of the Time traz como tema central uma “batalha morro acima” de um conhecido value investor americano, David Einhorn, na tentativa de desmascarar práticas contábeis fraudulentas em uma empresa de capital aberto – obviamente uma de suas posições short (vendidas a descoberto).

O início do livro traz uma interessante discussão sobre value investing, com exemplos práticos de assimetrias que o gestor encontrou no mercado americano, uma boa reflexão sobre posições short, e em especial um relato hands-on sobre value investing durante a bolha da internet.

Após essa introdução, o autor mergulha na narrativa do tema central do livro. Em 2002, após uma análise minuciosa sobre as atividades da Allied Capital – empresa credora/investidora de empresas de médio porte, Einhorn tornou-se cético em relação às práticas contábeis da empresa – em especial em relação ao valuation que faziam de suas posições ilíquidas (segundo ele, o “You-Have-Got-to-Be-Kidding-Me Method of Accounting”) – e montou uma posição short em ações da Allied. Ao longo dos seis anos seguintes, Einhorn travou sua batalha com a Allied Capital, insistentemente levando suas análises e conclusões à atenção dos reguladores e demais acionistas e analistas da empresa. Estes, por sua vez, por falta de vontade, incapacidade ou conflito de interesses, pouco fizeram.

O livro conta em detalhes essa fascinante e frustrante história da persistência do gestor e autor. Apesar de o livro enfatizar, em alguns momentos, o fracasso dos reguladores, ele é, principalmente, uma odisseia do triunfo do trabalho árduo e diligente de pesquisa de um gestor e sua equipe. Vemos reforçados ao longo do livro alguns conceitos que consideramos cruciais para o sucesso no investimento em ações: pesquisa e análise sistemática e diligente; uma boa dose de ceticismo em relação ao discurso do management de qualquer empresa; a importância do “trabalho de campo” através de conversas com diferentes pessoas na empresa analisada e em sua indústria – seus clientes, fornecedores e concorrentes; e por fim, que o tempo e a persistência normalmente são recompensadores para o investidor em ações.

Double your Profits traz como tema central a gestão empresarial e o desenvolvimento de uma cultura focada na busca por resultados. Apesar de seu título, que o condenaria à seção de autoajuda de qualquer livraria, apresenta uma abordagem direta sobre formas de maximização do lucro de uma empresa. O livro começa com algumas diretrizes importantes para a criação de uma cultura permeada pela meritocracia e foco em resultados, e termina sugerindo medidas objetivas que executivos podem empregar para maximizar os resultados de seus negócios. É interessante que, em termos práticos, vemos esta filosofia e algumas destas medidas concretas fazendo parte da cultura de certas empresas brasileiras que apresentaram resultados excepcionais ao longo do tempo.

A título de curiosidade, Marcel Telles, um dos controladores da Inbev, comentou em uma entrevista que tem como prática presentear anualmente seus sócios com um livro, e que Double your Profits é o único livro que ele presenteou seus sócios não apenas uma, mas duas vezes.

Em suma, acreditamos ser um livro que vai interessar a qualquer pessoa: para executivos ou donos de empresas essa é uma leitura que, com as devidas adaptações a cada situação específica, pode ter uma influência muito positiva (e prática!) na gestão de seus negócios; para investidores em ações, o livro apresenta um formato de gestão empresarial focado em resultados, contra o qual se pode contrastar e avaliar as práticas de gestão adotadas em qualquer companhia.

“O que distingue uma empresa medíocre de uma empresa excelente?” Com essa pergunta em mente, Jim Collins escreveu o livro Built to Last, um dos livros de management mais influentes da década de 90, que fala sobre as características do DNA de empresas excelentes, capazes de gerar para seus acionistas retornos muito superiores à média do mercado de ações.

“Uma empresa medíocre pode tornar-se excelente?” Com essa segunda proposta, através de um estudo com parâmetros rigorosos, o autor identificou aquelas empresas que geravam retornos medíocres para seus acionistas e que deram um salto para a excelência – gerando durante 15 anos retornos em média 7 vezes superiores aos retornos da média do mercado de ações. Esse é o tema de Good to Great.

O autor entra em detalhes sobre os fatores relativamente simples – lições de boa governança e boa gestão – que provocaram essa impressionante mudança no padrão de eficiência dessas empresas. Esses conceitos são comumente abordados nas discussões de teses de investimentos dos fundos da Oceana – são esses fatores particulares de cada empresa que influenciam tremendamente a geração de valor que se pode esperar ao longo do tempo para investimentos em ações.

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